Avançar para o conteúdo principal

Brasil adere a movimento global de tratar JCPs como juros

 

freepik

O Brasil estabeleceu a padronização dos Juros sobre Capital Próprio (JCPs) como juros, e não como dividendos. Os JCPs são proventos que uma empresa de capital aberto distribui aos seus acionistas, calculados sobre seu patrimônio líquido. A medida de tratá-los como juros vai ao encontro de uma política tributária internacional estimulada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que orienta alinhar essa interpretação para evitar a dupla tributação ou mesmo a dupla não-tributação sobre empresas e investidores globais.

“A adesão do Brasil aos termos indicados pela OCDE é bastante acertada. A partir desse posicionamento, o país dá uma resposta positiva para as empresas de capital aberto e à Organização”, explica Hariel Ribeiro, assistente jurídico do BLJ Direito e Negócios. “Com o enquadramento dos JCPs como juros, a responsabilidade pelo pagamento da alíquota de imposto de renda passa a ser do investidor. O que ocorria é que um país poderia considerar juros e outro considerar dividendos, promovendo um conflito de competência entre os contribuintes dos países envolvidos”, explica.

A diferença, esclarece, é que uma vez considerado juros não há tributação junto às empresas, todavia há sobre os investidores. Por sua vez, os dividendos distribuídos aos acionistas já são líquidos de imposto de renda, tendo em vista que são distribuídos a partir do lucro líquido, ou seja, após o pagamento pela empresa, de IR, CSLL, dentre outros. “É importante explicar que, qualquer que seja a interpretação, alguém paga esse imposto. Quando os JCPs são computados como juros, a responsabilidade é do investidor. Quando são enquadrados como dividendos, é a própria empresa quem arca com a tributação”, orienta o jurista do BLJ.

Numa relação internacional, a definição do JCP dentro de uma mesma natureza ajuda a determinar quem será o contribuinte. Para Hariel Ribeiro, um desajuste desse papel coloca em risco essas relações, gerando conflitos que poderiam envolver disputas governamentais. “Se no Brasil tratarem o JCP como juros e no país de origem do investidor considerarem dividendo, corre-se o risco de haver double non-taxation, isto é, dupla não-tributação.

Exatamente para evitar esses transtornos, o Brasil vem fortalecendo a rede de tratados com países para uniformizar o conceito de JCP. Ao mesmo tempo, vem analisando as relações com as nações que ainda têm entendimento divergente. O temor é usarem brechas supostamente legais para se promover uma sonegação fiscal em massa. “Hoje existe, sim, esse risco, que só pode ser solucionado com uma padronização responsável. Isso passa a ser muito positivo ao olhar da OCDE, inclusive para a injeção de recursos estrangeiros no país”, sustenta.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Plasma de argônio intragástrico é alternativa para quem voltou a ganhar peso após a bariátrica

O reganho de peso após a cirurgia bariátrica é uma realidade enfrentada por muitos pacientes, mesmo anos após o procedimento. Um dos principais fatores que contribuem para esse retrocesso é a dilatação da anastomose, a junção entre o estômago e o intestino delgado que, quando ultrapassa os 12 milímetros de circunferência, compromete a sensação de saciedade e facilita a ingestão de maiores volumes de alimento. Entre técnicas, uma alternativa segura e minimamente invasiva vem ganhando destaque entre especialistas: o tratamento com plasma de argônio intragástrico. Para Dr. Mauro Lúcio Jácome, gastroenterologista, cirurgião do aparelho digestivo e especialista em endoscopia terapêutica. “Essa técnica tem mostrado ótimos resultados na readequação da anastomose, possibilitando ao paciente retomar o controle do peso corporal com segurança. O procedimento é realizado por meio de endoscopia digestiva alta, o que o torna não invasivo e de rápida recuperação”, discute o médico. Durante a sessão, ...

Por que vale a pena aderir à energia solar residencial

Créditos: Freepik Para uma parcela cada vez maior da população brasileira, as contas de luz vão se tornando coisa do passado, e que não vão deixar nenhuma saudade. A dependência exclusiva de energia elétrica fornecida pelas concessionárias, como a Eletrobras, a Cemig ou a Enel, já há alguns anos perdeu força para grandes oportunidades de economia e até de bons negócios. O acesso aos painéis solares, inclusive residenciais, garantem energia mais limpa, mais econômica e até mais flexível. Isto porque o consumidor não precisa restringir sua estrutura aos quilowatts que lhes são necessários, mas instalar uma quantidade superior à demanda e repassar o excedente a outras instalações em seu nome, CPF ou CNPJ. Essa ideia vem transformando a maneira como os brasileiros se relacionam com este mercado, impactando inclusive os novos projetos imobiliários. Tanto que os sistemas de energia de matriz solar vêm crescendo exponencialmente em todo o país. Atualmente, existem mais de 2 milhões de painéis...

Frigorífico mineiro mira mercado global e projeta faturamento de R$ 200 milhões até 2026

  Divulgação Prestes a iniciar suas operações no primeiro semestre de 2025, o frigorífico O Cortês, com sede em Raul Soares, na Zona da Mata mineira, já traça planos ambiciosos para se tornar um player relevante no mercado internacional. A empresa, que faz parte do Grupo ARO, tem como meta exportar carne suína para os mercados da União Europeia e Estados Unidos já em 2026, mirando um faturamento de R$ 200 milhões no segundo ano de operação.   Do interior de Minas ao mercado global   Com um investimento de R$ 25 milhões, dos quais R$ 17 milhões já foram captados por meio de uma linha de financiamento voltada à inovação do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e investidores privados, O Cortês surge com uma proposta inovadora no setor. Rodrigo Torres, sócio-proprietário do Grupo ARO, explica que o foco inicial será o mercado interno, mas a estratégia de expansão já está desenhada. “Em 2025, vamos focar no Brasil, mas nossa visão é global. Em 2026, querem...